A França é Bacon

A imagem é uma ilustração vibrante no estilo Pop Art ou história em quadrinhos clássica. O foco principal é um close-up de uma boca aberta, com lábios vermelhos brilhantes e dentes visíveis, indicando que a pessoa está falando em voz alta ou projetando a voz.  Saindo da boca, há um balão de fala (típico de gibis). O conteúdo do balão representa uma mistura multicultural: ele está preenchido com palavras de saudação e termos em vários idiomas diferentes (como "Hello", "Bonjour", "Hola", "Namaste", etc.), misturados com caracteres de diferentes alfabetos e pequenas bandeiras.  O fundo da imagem apresenta uma textura de retícula (pontilhismo) e cores vivas e contrastantes (como amarelo e azul), reforçando a estética retrô das revistas em quadrinhos. As palavras faladas são todas "bacon" em várias línguas.
Boca Falando Bacon (gerada por IA, a partir de meu pedido)

Algumas coisas funcionam apenas - ou em geral - na língua original.

Quando eu falo 'coisas', estou querendo dizer, frases, orações, pegadinhas linguísticas, expressões idiomáticas, etc. Coisas relacionadas às palavras.

Isso acontece em qualquer língua. Temos as nossas expressões que, naturalmente, não podem ser traduzidas ao pé da letra, senão ninguém do outro idioma vai entender. Por exemplo, ao pé da letra. 

Se fôssemos traduzir a expressão "ao pé da letra" ao pé da letra para o inglês, corremos o risco de sermos ignorados, chamados de ignorantes ou de rirem em nossa cara. Claro que, se for uma pessoa educada e compreensiva, não vai fazer nenhuma dessas coisas... Vejamos:

Em Inglês seria "to the foot of the letter", mas a expressão correta é "to the letter".

Esse é apenas um exemplo banal e simples, até porque em idiomas latinos a expressão é a mesma, "au pied de la lettre" em francês e "al pie de la letra" em espanhol, por exemplo. Ah, em português também podemos dizer, apesar de ser menos comum, pelo menos no Brasil, "à letra", que é exatamente o que a expressão em inglês "to the letter" significa.
Texto em inglês com a história que conto no meu texto. O texto é, supostamente, de um usuário do Reddit, escrita em 2011, como resposta à seguinte pergunta: "Que palavra ou frase você entendeu completamente errado quando era criança?"
'France is bacon'

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Interrompendo rapidamente o fluxo to texto, sempre que penso em expressões brasileiras traduzidas ao pé da letra para inglês penso em "é batata" e dou uma risada ao pensar em um americano me ouvindo dizer "it's potato"... :D
Voltando...
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Naturalmente, quando compreendemos o que a expressão quer dizer, não precisamos mais nos confundir e, tudo se esclarece. Até isso acontecer, entretanto, muito tempo pode se passar e muitas águas, certamente, podem rolar...

É o caso de 'A França é Bacon'.

Na imagem ao lado tem a história completa em inglês. Vou resumir.

O escritor fala que, quando mais novo, o pai dele lhe disse que "Conhecimento é poder, a França é bacon".

Entendeu? Acho que ficou bem claro o que o pai dele quis falar, correto? Creio que não. E foi isso que ele ouviu e entendeu (ou não entendeu) quando o pai dele falou essa frase EM INGLÊS. Se fôssemos traduzir o que o pai realmente falou e não o que o filho entendeu, a tradução seria: "Conhecimento é poder, Francis Bacon". Assim, como a palavra Francis, em português, não é possível de ser confundida com "A França é", essa confusão não existiria. 

Assim, é claro, para nós, que o pai disse ao filho uma citação de uma pessoa cujo nome é Francis Bacon. Mesmo que você não conheça Francis Bacon, o que é possível, "Francis Bacon" não é exatamente algo que faz sentido por si só e você teria, provavelmente, perguntado, "Francis Bacon?" ou "O que tem a ver Francis com bacon?"

Aos ouvidos daquele menino de 12 anos que conversava com pai, no entanto, ele ouviu - em inglês - "France is bacon", ou seja, "A França é Bacon." Em português não ouviríamos isso e, mesmo que houvesse confusão no modo como o pai falou para a gente, a confusão na compreensão seria de outro tipo.

A imagem é uma ilustração em estilo gravura antiga (com tons de sépia e textura de papel envelhecido) que representa visualmente o trocadilho "France is Bacon".  À esquerda: Há um retrato detalhado de Sir Francis Bacon, vestindo sua característica gola elisabetana bufante. Atrás dele, tremula uma bandeira do Reino Unido (Union Jack) com uma coloração suave (azul e vermelho desbotados).  À direita: O mapa da França não é preenchido por terra, mas sim por várias tiras de bacon fritas e entrelaçadas, mantendo o contorno geográfico do país. Atrás do mapa, vê-se a bandeira da França, também com cores sutis (azul, branco e vermelho).  Na parte inferior: Uma faixa decorativa estilo pergaminho exibe a frase "FRANCE IS BACON" em uma tipografia clássica.  O estilo geral remete a ilustrações de livros de história ou mapas antigos.
FRANCE IS BACON (gerada por IA, a partir de meu pedido)

O menino, sem entender o que o pai quis dizer com a parte final da frase, por anos, pediu a inúmeras pessoas para lhe explicarem o significado dela. Todos explicavam, sempre solícitos, mas sempre, e apenas, falavam sobre a primeira parte "Conhecimento é poder". Daí, quando ele falava "A França é bacon", as pessoas simplesmente concordavam e diziam, isso mesmo. Ele se sentia intimidado e não perguntava mais e diz que se conformou pois era algo que sabia que nunca entenderia.

Até que um dia, anos depois, viu a frase por escrito e, como ele mesmo diz no final do texto, "o centavo caiu".

- O centavo caiu?, pergunta você.

Ah, desculpe. Ele disse "A ficha caiu" (para os mais velhos), ou, "Foi aí que entendi".

Entendeu?

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P.s.: a tradução do texto em inglês acima feita, sem interferência minha, pelo Google Translator é a seguinte:
     "Quando eu era criança, meu pai me disse: "O conhecimento é poder, a França é bacon".
     Por mais de uma década, fiquei me perguntando sobre o significado da segunda parte e qual era a ligação surreal entre as duas frases. Se eu dissesse a alguém: "O conhecimento é poder, a França é bacon", a pessoa assentia, como se entendesse. Ou alguém dizia: "O conhecimento é poder", e eu completava a frase: "A França é bacon", e a pessoa não me olhava como se eu tivesse dito algo muito estranho, mas concordava pensativamente. Cheguei a perguntar a um professor o que significava "O conhecimento é poder, a França é bacon" e recebi uma explicação completa de 10 minutos sobre a parte "o conhecimento é poder", mas nada sobre "A França é bacon". Quando insisti em uma explicação adicional, perguntando "A França é bacon?", em tom de dúvida, recebi apenas um "sim". Aos 12 anos, não tive coragem de insistir mais. Simplesmente aceitei que era algo que eu nunca entenderia.
     Só anos depois, quando vi a frase escrita, é que a ficha caiu.
     REFERÊNCIA: Resposta de Lard Baron a uma pergunta no Reddit em 2011: "Qual palavra ou frase você entendeu completamente errado quando criança?""
P.s.2: reencontrei essa história em meus álbuns de fotografia digitais (ainda bem que a imagem foi capturada e salva como foto) e decidi por compartilhar a reflexão. É possível que, quando a vi pela primeira vez, a tenha salvo com esse intento, pois, mesmo sem estar escrevendo, sempre que acho algo interessante penso em escrever algo, mesmo que acabe não escrevendo depois...

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