Sim Não, Não Sim. Sim Sim, Não Não?

Quando você tenta agradar a todos, acaba se afastando de si mesmo e carregando pesos que nem são seus.  Dizer 'não' não é falta de bondade, é respeito pelos próprios limites, pela sua energia e pelo que realmente importa.  Às vezes a maior coragem está em se escolher, mesmo que isso desagrade alguém. Priorize o que faz sentido, cuide do seu tempo, do seu corpo e da sua paz.  Você não precisa estar disponível para tudo, mas pode estar inteiro para o que realmente vale a pena. #Reflexão
No local onde vi essa imagem pela primeira vez - um canal que sigo no Telegram - havia a seguinte legenda logo após:
Quando você tenta agradar a todos, acaba se afastando de si mesmo e carregando pesos que nem são seus.

Dizer 'não' não é falta de bondade, é respeito pelos próprios limites, pela sua energia e pelo que realmente importa.

Às vezes a maior coragem está em se escolher, mesmo que isso desagrade alguém. Priorize o que faz sentido, cuide do seu tempo, do seu corpo e da sua paz.

Você não precisa estar disponível para tudo, mas pode estar inteiro para o que realmente vale a pena.
#Reflexão
Essa reflexão me trouxe à mente diversas outras reflexões. Inclusive uma sobre a própria reflexão.

Um problema que eu tenho tido com relação ao que muitas pessoas falam - inclusive eu mesmo - é que essas falas têm, cada vez mais, me parecido como algo que já é definitivo e que não se pode mais acrescentar nada e nem discutir, como se aquela fosse a palavra final. Como eu falei, só para deixar claro, isso também acontece comigo e, talvez por isso mesmo, isso esteja me incomodando tanto.

A gente lê/vê/ouve coisas, em especial 'reflexões' como a que postei acima e, se elas fazem um certo sentido e mexem com o nosso eu, com o nosso ego, a gente acaba concordando - ou discordando - de imediato, sem, na verdade, realmente 'refletirmos' sobre elas. 

E, talvez por isso mesmo, fazem tanto sucesso.

Essa reflexão inicial que a imagem nos propõe, me fez pensar nesse assunto sobre o qual escrevo agora.  

Será que, realmente, essa (ou qualquer outra) reflexão faz sentido? 
Se levarmos ao pé da letra, sem refletirmos sobre ela, de verdade, profundamente, questionando, analisando, trazendo-a mentalmente à prática, ao dia-a-dia, ao que ela nos leva ou pode nos levar?

Vou dizer a minha preocupação, ou melhor, uma das minhas preocupações com relação a essa reflexão acima. Apenas um reforço: o objetivo real deste texto não é refletir sobre essa reflexão, mas vou me utilizar dela para demonstrar meu pensamento sobre aquilo que lemos/vemos/ouvimos. Para refletir  mais profundamente sobre a reflexão do SIM/NÃO, precisaríamos de muito mais papel - se fosse na época do texto impresso - ou de muito mais rolagem de tela. E olha que você vai precisar rolar bastante a tela... Vamos a ela.

Na imagem, as palavras SIM e NÃO estão em destaque. 

Em minha experiência internética (sim, essa palavra existe), o que é mais curto e rápido é muito mais lido e absorvido do que aquilo que é mais longo e mais demorado. E isso não acontece apenas na internet. Tem inclusive aquela exclamação clássica "Nossa, esse livro tem esse número todo de páginas? E sem nenhuma figura!" que demonstra muito bem a "aversão" de muitos à leitura. (Fico me perguntando quem ainda "tem tempo" para ler postagens um pouco mais longas como essas que acabo postando aqui...)

Voltando à postagem, aquilo que tem menos texto é mais atraente. Então, unimos um texto pequeno a uma imagem, para dar maior poder à frase. E, assim, a frase também acaba aumentando o poder da imagem num ciclo de retroalimentação e reforço visual e cognitivo. 

Qual o meu problema, então, com essa imagem em específico? É que o que se destaca na imagem do SIM é o sofrimento de quem diz sim. E, por outro lado, na imagem do NÃO em destaque, temos a tranquilidade.

Logo, é fácil de perceber que existe uma leitura super superficial dessa imagem que diz, não diga SIM, pois você vai ficar sobrecarregado. Diga NÃO e tudo vai ficar zen. Perceba que o personagem principal da "história" é um monge, ou seja, fortalecemos ainda mais a ideia de que, se até para um monge é difícil dizer SIM - observem o rosto dele - que dirá de nós, "simples mortais"...

Pedi à IA do Google: Será que você pode criar uma imagem abstrata, em estilo de aquarela, sobre as palavras SIM e NÃO?
Foi essa que ela gerou. Me pergunto: se até a IA gerou um SIM como algo mais alegre e colorido do que o NÃO, será que é por isso que o/a autor(a) da reflexão inicial - e nós, como consequência - dizemos sim mais facilmente do que não?
Será que vemos, como a IA, o sim como algo mais aberto e claro e o não como algo mais enrolado e escuro?

Espero que vocês estejam conseguindo acompanhar a minha preocupação. Eu não estou falando que é apenas e exatamente isso que a imagem está dizendo, mas que essa é, para mim, a explicação mais intuitiva e mais "fácil" de ser percebida, apreendida e aprendida quando, na rapidez de nossas leituras sem maiores reflexões, acabamos internalizando uma ideia equivocada.

Sabemos que cada um faz o que quer e o que deseja de sua vida, de suas leituras e de suas produções.  Logo, temos o direito de dar vida às nossas ideias da maneira que bem entendermos. E foi isso, certamente, que fez o/a criador(a) da imagem inicial. Ao que dou parabéns e digo, se algum dia, souber que estou escrevendo sobre ela e estiver lendo esse texto, obrigado por tê-la criado.

Interrompo o fluxo do texto para pedir perdão antecipadamente a você, criador do texto, e também aos leitores dessa reflexão. Imagino que na minha tentativa a seguir poderei parecer pedante, mas sinceramente, concordo com o pensamento do criador  da postagem. Só que eu creio que ele/ela não conseguiu expressar com clareza a ideia que queria passar. Realmente, me perdoe se achar que eu estou cruzando uma linha que não deveria ser cruzada.

Voltando.

Fico pensando, se quem a criou imaginou o que causaria o seu pedido de #Reflexão ao final da postagem. Talvez não, pois, se tivesse pensado nisso, é capaz que tivesse criado a imagem de uma maneira um pouco diferente, mantendo-se mais fiel a essência do que quis passar. 

Eu diria que, mesmo no texto explicativo, a pessoa que escreveu, não conseguiu expressar, com precisão, a ideia que ele/ela quis (e quer) passar. Vou tentar explicar o que eu creio ser o que a pessoa quis dizer. Vou usar apenas a imagem para isso.

Na imagem está escrito "Quando você diz SIM pra todo mundo" e a imagem mostra muitos braços segurando e se aproximando do personagem e ele completamente estressado.
Do outro lado está escrito "Quando aprende a dizer NÃO!" e a imagem do mesmo personagem apenas caminhando tranquilamente em uma paisagem bucólica, sem ninguém pedindo nada.

Eu não mudaria nada na frase inicial pois realmente acredito que a gente não pode dizer SIM para todos. Entretanto, o segundo lado, do modo como está escrito junto com a imagem, nos faz acreditar, numa leitura rápida e sem reflexão como já disse antes, que o aprender a dizer NÃO, também é para todos. E isso não é verdade. 

Assim, minha sugestão é que a imagem da direita poderia mostrar o mesmo personagem, tão tranquilo quanto está na original, só que com algumas mãos lhe tocando e pedindo ajuda, não tantas quanto no primeiro quadro, indicando que ele aprendeu a dizer não, mas que continua dizendo sim a alguns pedidos. Assim, a frase poderia ser "Quando aprende a dizer NÃO a alguns!"

Como falei, essa postagem não é para discutir essa imagem em si, nem o texto abaixo dela - o qual eu também modificaria um pouco - por isso mesmo, paro aqui na sua análise.

A minha dificuldade com "discussões" nos dias de hoje é perceber a nossa dificuldade de pensarmos criticamente sobre aquilo que tenta nos influenciar, ou que, em último caso, nos influencia. É perceber que quando tomamos apenas um lado e "fechamos a questão", não paramos para pensar, ponderar e realmente, refletir e reflexionar sobre aquilo que lemos/vemos/ouvimos. 

Quando não fazemos o que a própria reflexão nos convida a fazer, já a partir do próprio nome - reflexão - estamos num caminho complicado de gestão de conhecimento e autoconhecimento, de crescimento intelectual e interpessoal, de melhoria do mundo exterior e do mundo íntimo. É como se estivéssemos escolhendo ficar cada vez mais engessados em convicções partidárias fanatizantes em vez de escolhermos ficar mais livres em busca de conceitos amorosos e libertadores.

Tudo começa em algum ponto, a partir de algum lugar, de alguma ação. Eu não sei qual o melhor ponto de partida, só sei que essa mudança tem que sair de uma inativa espera pela mudança do mundo para conter uma ativa mudança íntima, mudança essa que estimula a natural mudança do mundo.

Precisamos aprender a dizer SIM do mesmo modo que precisamos aprender a dizer NÃO. Nem sempre só NÃO, nem sempre só SIM. 

Um dia - e sei que estamos longe disso - um dia aprenderemos a refletir bem; saberemos que não sabemos de nada; nossa humildade superará o nosso orgulho; e, o nosso egoísmo será substituído por altruísmo. Quando chegarmos nesse dia saberemos que quando dissermos SIM, estaremos querendo dizer SIM, disso não nos arrependeremos e isso não nos causará estresse. E quando dissermos NÃO, estaremos realmente querendo dizer NÃO. E ponto. Sei que ainda estamos longe disso. Espero, entretanto, que estejamos a caminho, caminhando, fazendo, refletindo. 

Depois dessa longa caminhada, quando chegarmos lá teremos alcançado uma das grandes recomendações daquele que muitos de nós - eu inclusive - chamo de Mestre: "Seja o seu 'sim', 'sim', e o seu 'não', 'não' (Mt 5:34)".

Pedi à IA para fazer uma aquarela com o SIM SIM NÃO NÃO e depois de algumas interações e prompts, adicionei uma paisagem semidesértica como fundo.

Enquanto não chegamos lá, vamos nos esforçando por sermos menos extremistas, radicais e inamovíveis em nossas opiniões e que elas não sejam movidas por torcidas, partidos ou convicções fundamentalistas. Buscar o entendimento e vez por outra dar uma revisitada em nossas opiniões são sempre as melhores opções para construirmos, em nós mesmos e no mundo, seres mais saudáveis e mais amorosos.

Sim, um abraço para todos. Não, para aqueles que não gostam de abraço. E está tudo bem!

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