Seca
- Mas que droga, - diz Omar em meio à tosse que teima em cortar sua linha de raciocínio. Esse aguaceiro infernal não nos dá um respiro.
- Semana passada você tava aqui, nesse mesmo lugar, olhando pela mesma janela, tossindo do mesmo modo e reclamando da estiagem... Ê homem reclamão...
- Ei, olhe bem como fala comigo, sua... COF COF
- Ei, eu não sou sua COF COF! E olhe como tosse comigo!
Ambos caem na risada, se aconchegam ainda mais e se voltam para o flash que acabou de clarear o quarto através da cortina que encobre parcialmente a janela ao lado da cama.
- Maia, o que você acha de a gente tirar uma foto nossa?
- Não foi você que acabou de tirar uma?
- Não, foi o céu. E, infelizmente, não temos acesso à nuvem onde ele guarda os registros.
- Nossa nuvem é outra. Nosso céu é aqui.
- Então, vamos tirar?
- Já estamos sem.
- Verdade. Bom, então, já que já tiramos e arquivamos em nossa memória, vamos viajar na nossa própria nuvem, no nosso próprio céu?
- hmmm
As bocas, agora, espelham a umidade da água que jorra lá fora...
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P.s.: comecei a escrever em 19 de abril de 2025 e deixei em formato de
rascunho. Não sei qual era a ideia inicial do final da história, pois escrevi apenas até ele perguntar sobre tirar a foto. Quando retomei a escrita para concluir, mudei uns
pequenos detalhes no começo, mudei os nomes dos personagens e concluí. Então, pedi ao
Gemini para gerar uma imagem com base em minha descrição do que Omar e Maia estavam vendo da cama. É isso.
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