Paraíso

Recentemente me deparei com uma revista portuguesa antiga, de antes de eu ter nascido. 

Capa da revista portuguesa Plateia de 22 de dezembro de 1973 (n.º 673), destacando a atriz Lucille Ball sorrindo com um gorro de Pai Natal e roupa branca. (Gemini)

O ano era 1973 e a Plateia - Revista Semanal de Espetáculos - número 673 de 22 de dezembro trazia na capa (ao lado) Lucille Ball, atriz estadunidense do norte, sorrindo com seus belíssimos olhos verdes e adornada com lindos brincos de pérola e com um gorro de Papai Noel - que a revista chama de Papai Natal.

Dentre várias coisas interessantes que encontrei nessa revista, duas me chamaram mais a atenção. A primeira - e daí o nome da postagem - foi um cartum em que se fala sobre o Paraíso. 

A segunda, da qual falarei primeiro, foi descobrir um goleiro de nome Melo que ganhou um prêmio por ser o menos vazado da temporada da segunda divisão do campeonato Português de 1973. Fiquei curioso pois, claro, compartilho com ele o mesmo nome, quer dizer, sobrenome. Pelo menos foi o que achei de começo e isso acabou se confirmando. Entretanto, fiquei com uma dúvida. Por que em nenhum lugar da notícia, o jornalista fala o nome completo do jogador?

Página 25 da revista Plateia (1973) com o artigo «Melo recebeu a Baliza de Prata em pleno Académica-Benfica», mostrando o guarda-redes Melo a erguer o troféu no relvado e a cerimónia de entrega. (Gemini)
Assim, decidi ir em busca de alguma outra informação a respeito desse Melo de primeiro nome desconhecido. Graças, claro, à facilidade da internet, rapidamente pude confirmar a informação e encontrei o nome completo do Melo, goleiro português da Académica de Coimbra. Ele se chama José Melo. Quer dizer... Em outro lugar ele se chama João Melo... Então, isso quer dizer que eu NÃO encontrei o nome completo dele.

Assim, o que era fácil de pesquisar se tornou um pouco menos fácil devido às informações conflitantes...

Com mais de um goleiro (ou guarda rede, como era/é chamado em Portugal) de sobrenome Melo e aparentemente uma confusão no nome do jogador, saí à caça da informação mais precisa, que até o momento que escrevo, ainda não consegui confirmar. O que fiz? Enviei mensagens a dois grupos no Facebook que são vinculados ao desporto português. Um deles, inclusive, é dedicado ao exato clube em que o Melo que procuro jogou e ganhou o prêmio, a Académica de Coimbra. Por enquanto, estou considerando que o nome "João Carlos da Conceição Melo", que achei no site zerozero, é o mais correto. Se eu receber respostas ao meu questionamento, eu atualizo a postagem depois.

Enquanto não confirmo o nome do Melo, sigamos com a parte que me chamou a atenção em primeiro lugar. Férias no Paraíso.

Quando li essa página (ao lado - clique para ampliar), imaginando que fosse um cartum, estava esperando que fosse rir de algo ou que, talvez, mesmo que não risse por não achar engraçado, que eu entenderia que o autor tivesse querido fazer algum tipo de graça. Só que não vi graça. Nem na intenção, nem no texto. Ou seja, algo estava "errado". E estava mesmo, só que comigo. Era a tal da expectativa.

Vendo o título e o desenho, a minha expectativa era de que fosse um cartum cômico. Só que, na realidade, era uma propaganda. Para ser mais preciso, o começo de uma propaganda. Uma propaganda do "novo PARAÍSO".

Foi só aí que eu ri. Não muito, mas ri ainda assim porque sou besta pra rir, como os que me conhecem, sabem. Só que eu ri também pois, de 1973 pra 2026 já se passaram 53 anos e em termos de férias e construções, o que era novo em 73 já não é mais tãaaao novo assim. Eu que o diga, tendo nascido em 74... :)

Na página seguinte, então, vi a imagem abaixo. Foi essa imagem que me atiçou as digitais para pesquisar algo e escrever por aqui. Achei legal demais a foto do lugar e até me perguntei, será que é realmente uma foto tirada de um avião para mostrar o empreendimento?

O "novo PARAÍSO" proposto era na Praia de Alvor, naturalmente, em Portugal. Foi então que, além da pergunta acima, me perguntei também: será que 53 anos depois essa "SOCIEDADE PARA TODOS" ainda existe? Será que esse "grupo de homens esclarecidos e de olhar atento ao FUTURO" foram capazes de construir esse "novo PARAÍSO" de modo que ele durasse e ainda fosse utilizado nos dias de hoje? Se eu achar, inclusive vou conseguir até ver se era realmente uma foto a partir de um avião ou não.

Maravilha! Com as informações disponíveis na propaganda e, mais uma vez, com a belezura da internet, seria fácil de localizar. Dessa vez, foi!

Bastou colocar no google maps e ajustar a visão para 3D (caso não queira visitar o link, a imagem acima é uma captura de tela do local) e pá, lá está o empreendimento ainda vivo e até com mais construções e outras coisinhas mais ao redor. Em ambas as imagens, vemos os (seis) prédios mais altos ao redor do prédio mais baixo, porém com mais área e conseguimos também até mesmo identificar a  grande piscina na propriedade. Sim, a foto da propaganda era realmente do "novo PARAÍSO".

Eu não sei se se pode dizer que - nem naquela época, nem nos dias de hoje - esse é um empreendimento "PARA TODOS", mas, pelo menos, foi construído, entregue e continua ainda em operação, pelo menos até a data em que publico esse texto.

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P.s.1: quase sempre que tenho vontade de escrever algo penso que vai ser algo simples e rápido. Isso (quase) nunca se concretiza. Com esse não foi diferente. :) Ia escrever apenas sobre a propaganda, mas acabei encontrando o Melo e aí, já viu...
P.s.2: minha irmã-editora Vel me sugeriu e concordei com ela. Quando publiquei pela primeira vez, o texto terminava com os dois parágrafos que coloco abaixo. Entretanto, originalmente, antes de ser postado, o texto terminava como acima e eu achei que deveria adicionar algo. Adicionei e postei. Quando ela leu, me disse o seguinte: "Tô só na dúvida se romantizou o final propositadamente. Pq parecia que ia levar mais à curiosidade" Como falei, concordei e decidi retirá-los do texto principal, mas deixá-los registrados num P.s., também sugestão dela. Aqui estão:

Espero que possamos, todos nós, onde quer estejamos, sempre nos sentirmos no paraíso. Não há nada melhor do que poder viver e estar em um lugar - mas mais importante ainda - estar com pessoas que tornem qualquer lugar, por pior que possa parecer, um verdadeiro oásis de alegria e felicidade.

Claro que se, de férias ou não, pudermos estar em um lugar lindo, agradável e maravilhoso e ainda por cima bem acompanhados, não podemos reclamar, não é mesmo!?

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