Estímulos (DULQEQL 02)

Disse Lavoisier:

Antoine Laurent Lavoisier por Pierre Michel Alix, Galeria National Finlandesa (CC0)

"Nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma."

Mentira, ele nunca disse isso. Ele provou e explicou isso, cientificamente. 

Alguém, ou "alguéns", depois, para explicar em palavras simples o conceito por trás da descoberta dele, criou essa oração. Essas palavras se tornaram tão profundas que foram e vão ser, eternamente, utilizadas em quase todos os contextos da vida humana e não humana para mostrar que somos o produto de tudo e todos que vieram antes de nós.

Vi um vídeo - que coloco abaixo - que me fez querer ler o livro de onde o texto recitado faz parte. É por esse motivo que essa postagem está vinculada à página Liv Rosa Ler.

No vídeo, que recebi via Whatsapp, o recitador diz que a poesia é do livro Leia um café e tome uma poesia: antes que esfrie de Fagner Mera

Capa do livro

O vídeo que chegou até mim é esse:


Parte do texto recitado no vídeo diz assim:

"Na minha oração era você meu sujeito,
meu predicado predileto."

Compartilhei esse mesmo vídeo com algumas pessoas pois achei extraordinária a poesia. Algumas delas reagiram e responderam ao meu compartilhar. Houve repostas diversas. De coraçõezinhos 💓 a "Que lindo". Inclusive minha Mainha também respondeu. A resposta dela foi a que mais me surpreendeu. Vou compartilhar a resposta. Mas "péra" avexado! 😃 Uma outra coisa antes de fazer isso.

Muitas de nossas criações... quer dizer...

Muitas de nossas transformações... não, também não é isso...

Muitas, se não todas, de nossas transcriações - existe essa palavra? - são estimuladas por algo que já foi transcriado antes de nós. 

Quando vi/li/ouvi o vídeo e vi/li/ouvi a poesia completa de Fagner Mera, fiquei pensando qual foi o estímulo dele para criar essa poesia em especial... No que ele se baseou? Quais foram as dezenas, centenas de leituras que ele já fez e que o levaram a reciclar, transformar, rasgar, amassar ideias para, numa amálgama linguística (ou será linguaruda?), criar esse poema? No título do livro eu vi o título de um outro livro que li há algum tempo: Antes que o Café Esfrie de Toshikazu Kawaguchi. Será que ele se inspirou nesse título? Perguntas, perguntas...

Bom, só sei que, como nada se cria...

Essa foi a resposta de minha Mainha e o restante de nossa conversa, inspirada pelo vídeo e pela poesia: 


Transcrição do papo:
Amo vc, o sujeito enorme no meu coraçãozinho, que embora seja ainda menino fica sempre conjugado na pluralidade das existências.....
Kkkk
Te amo de sempre, verbo presente, prenhe de Amor e que, numa interjeição grávida de vida, me entregou ao mundo, exclamando:

- Sê uma substantiva ação contínua e construtiva, imortal ser amado; sê verbo!

Obrigado, Mainha!

P.s.: falo isso por todos nós, seus filhos!

Que lindo meu filho amado... tenho muita Gratidão a Deus por permitir ser mãe de todos vcs...
Amo você muitão e todos os demais.

E assim fui criado / não criado por ela; nunca malcriado com ela. Mentira, já fui malcriado com ela sim e, claro, me arrependo. 😁

O que você tem transcriado ultimamente? Quais são seus estímulos à transcriação?

--
P.s.1: se você olhar bem, Lavoisier está julgando o modo como comecei o texto. Ele provavelmente está pensando: "Eu nunca falei isso!"

P.s.2: dizem as (más?) línguas que essas são conversas reais (😂) entre Lavoisier e a esposa, Marie.

Marie: Antoine, estou vendo que você tem feito experimentos com gases.
Antoine: É, às vezes eles não cheiram bem.
M: Você não tem jeito...

A: O que você está fazendo, Marie.
M: Sendo o ar que você respira, meu amor!
A: Não sabia que seu nome também era oxigênio.

A: Marie, tenho medo que um dia nosso amor acabe.
M: Jamais, Antoine. Nosso amor não é alquimia, é química de verdade!

M: A revolução está se aproximando de nossas vidas, Antoine.
A: Do jeito que as coisas andam, Marie, pode ser que nos afete profundamente.
M: O que podemos fazer, meu amor.
A: Pouco. Transformações são inevitáveis.
M: Será que não podemos fazer algo, criar alguma coisa que nos salve?
A: Tudo o que podíamos fazer nós já fizemos. A partir de agora é continuar trabalhando e torcer para que o nosso trabalho seja suficiente para nos livrar do pior.
M: E se a guilhotina nos pegar?
A: Não temos como prever. Mas lembre: mesmo que algo aconteça a mim, siga adiante. Confie, pois já conseguimos conquistar muito juntos e, mesmo separados, a separação é apenas aparente. Tudo o que eu sou vai permanecer aqui. Uma boa parte porque tudo, fisicamente falando, que me compõe vai continuar aqui e será reutilizado pela natureza.
M: E todo o resto, a parte não física, estará sempre comigo, em minha mente e o no meu coração. Você é e sempre será minha inspiração, minha referência, meu estímulo! Nada do que você é se perderá! Eu te amo, Antoine!
A: Eu te amo, Marie.

entrada 436106 (número de acesso: 1977.10), Domínio Público, Link

Comentários

Anônimo disse…
Adorei ler o Pensações sobre a Copa2026. Não acompanhei como vc, porém, torci pela Espanha e acertei o placar.
Vou continuar torcendo pela Espanha sempre que esteja em campo..

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